A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada da crise político-institucional tem ofuscado o debate sobre as propostas de campanha e os problemas estruturais brasileiros, segundo entidades da sociedade civil ouvidas pela Agência Brasil. Essas entidades apontam que, ao extrapolarem o Supremo Tribunal Federal e envolverem outras instituições, as disputas entre ministros da Corte têm dominado o noticiário, as redes sociais e as conversas cotidianas, desviando o foco dos desafios nacionais. A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que o debate eleitoral está prejudicado porque as atenções estão voltadas para os reflexos da atual crise institucional do Poder Judiciário. Ela também destacou uma lacuna imensa em relação a outros temas fundamentais que deveriam estar no centro do debate político-eleitoral, como a ciência, que depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção adequada. Essa situação levanta preocupações sobre a qualidade do processo democrático e a capacidade dos eleitores de avaliar propostas substantivas diante da predominância de notícias sobre conflitos institucionais.