A seca está se tornando uma ameaça crescente em diferentes partes da América Latina. Na Amazônia peruana, o indígena shipibo‑konibo Gilmer Yuimachi alerta que a falta de chuvas compromete não só a produção de alimentos e o fluxo dos rios, mas também as culturas e os conhecimentos ancestrais transmitidos por gerações. No El Salvador, a jovem líder Xenia López acompanha as comunidades do Corredor Seco Centro‑Americano, que buscam adaptar práticas agrícolas à escassez de água. Essas duas narrativas, junto a uma terceira ainda não detalhada, foram apresentadas durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada na semana passada em Ulaanbaatar, Mongólia. Dados da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) indicam que cerca de 28 % dos territórios da região são classificados como terras degradadas, um índice muito superior à média global de 15 % a 16 %. A conferência resultou em novos mecanismos de financiamento, discussões sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e ampliou a participação formal de povos indígenas e comunidades locais nas decisões. Esses fatos ressaltam a urgência de transformar metas internacionais em ações concretas para quem depende diretamente da terra na América Latina.