A edição de 2026 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicada neste domingo (8), passou a oferecer pela primeira vez o direito a acompanhante familiar ou cão de apoio emocional para participantes com diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), histórico de crises de ansiedade e outras alterações emocionais.

A concessão do recurso exigiu solicitação prévia no ato da inscrição, apresentação de laudo comprobatório e validação pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Segundo as normas do edital deste ano, o acompanhante autorizado permanece em um espaço reservado sob supervisão de fiscais, podendo intervir caso o estudante precise de estabilização emocional ou auxílio para ir ao banheiro. Outra mudança implementada na atual edição foi a inclusão da fibromialgia no rol de condições que dão direito a atendimento especializado e recursos de acessibilidade.

De acordo com dados do Painel Enem 2026 divulgados pelo Inep, a prova deste domingo registrou solicitações confirmadas de atendimento especializado. Entre os recursos mais demandados na inscrição estão o tempo adicional, com pedidos ( do total), a correção diferenciada, com (), e o auxílio para leitura, que somou requerimentos ().

Em entrevista concedida à Agência Brasil, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que a presença de um familiar representa um suporte relevante para os candidatos que comprovem a necessidade por meio de laudo. O titular da pasta declarou que o exame busca evoluir anualmente para se tornar mais acessível e inclusivo.

Candidatos neurodivergentes relatam que os fatores ambientais costumam ser um obstáculo durante a avaliação. A estudante do terceiro ano do ensino médio Maria Clara Gonçalves, de 18 anos, moradora de Cotia (SP) e diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), solicitou atendimento especializado para disputar uma vaga em medicina.

Ela apontou que a alocação em salas com número reduzido de participantes ajuda a diminuir distrações provocadas por ruídos e movimentação. De forma semelhante, Isabella Magalhães, de 25 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (nível 2) e que realizou a prova com adaptações em 2017, avaliou que o tempo de permanência e os estímulos do local pesam mais na experiência do candidato do que o conteúdo das disciplinas.

Para lidar com a exigência do exame, a psicopedagoga e coordenadora da clínica Follow Kids no Rio de Janeiro, Giselle de Oliveira Araújo, recomendou que estudantes neurodivergentes utilizem técnicas de autorregulação previamente testadas em simulados. Segundo a especialista, pausas breves para respirar, desvio momentâneo do olhar da prova ao notar sinais de sobrecarga mental e pequenos movimentos discretos — desde que compatíveis com as regras do edital — auxiliam na retomada da concentração e na gestão do tempo.

Como parte da cobertura do primeiro dia de provas, a Agência Brasil programou para as 19h30 deste domingo a transmissão ao vivo do programa Resenha do Enem, com análise das questões e do tema da redação por professores convidados nos canais do YouTube da Agência Brasil e da TV Brasil, além da rede da Rádio Nacional.