Em entrevista à Agência Brasil, Samira de Castro, presidenta da Fenaj, apontou que o debate público sobre os rumos do Brasil tem sido esvaziado por um modelo eleitoral distorcido, caracterizado pela ausência de propostas estruturais. Segundo ela, dois fatores principais contribuem para esse cenário: a busca incessante da grande mídia por audiência instantânea e, na maioria das vezes, momentânea, e a tendência das candidaturas de adotar uma lógica de marketing superficial, reduzindo as discussões a espalhamentos de vídeos curtos e danças. Além disso, Castro destacou que a crise político-institucional envolvendo o caso Master já extrapolou o Poder Judiciário, alcançando instituições como a Polícia Federal, e continua a dominar o noticiário, dificultando ainda mais o espaço para debates de fundo. Ela alertou que, com o primeiro turno das eleições se aproximando em 4 de outubro, é improvável que a imprensa e a opinião pública encontrem rapidamente um equilíbrio que permita um acompanhamento mais aprofundado das propostas reais dos candidatos.