A fragmentação de dados entre os diversos órgãos responsáveis pelo atendimento a vítimas de violência doméstica dificulta a identificação precoce de sinais de risco e a atuação preventiva contra feminicídios no Brasil. Estudos apontam que ameaças, agressões e o descumprimento de medidas protetivas são indicadores recorrentes que antecedem os crimes, porém, quando as informações ficam isoladas em cada instituição, as oportunidades de intervenção são perdidas. A promotora Silvia Chakian, do MP-SP, destaca que a falta de integração estratégica de dados e as falhas na fiscalização das medidas protetivas de urgência transformam situações que poderiam ser evitadas em tragédias. Ela defende um modelo de atuação coordenada, semelhante ao empregado no combate à criminalidade organizada, para que o Estado tenha uma visão completa da trajetória de violência e possa agir de forma eficaz.