A Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) pague indenização individual de R$ 35 mil a cada uma de três estudantes que se autodeclararam negras e foram vítimas de racismo durante um processo seletivo para o programa de Serviço Social da Residência em Saúde. Segundo a decisão do desembargador Luiz Alberto Carvalho Alves, as candidatas foram obrigadas por fiscais da prova a prender os cabelos para entrar na sala de teste, uma exigência que não constava do edital e que não foi imposta aos demais participantes, caracterizando tratamento desigual e vexatório. O magistrado classificou o caso como discriminação indireta e racismo institucional, destacando que a prática configura dano moral passível de compensação. A socióloga Lara Miranda, pesquisadora do Núcleo Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), comentou que o episódio reflete a falha das instituições em oferecer um serviço adequado às pessoas por causa da cor da pele, afirmando que o cabelo é apenas um detalhe e que o cerne do problema é o policiamento estético de corpos negros. A decisão reforça o combate ao racismo estrutural no ambiente universitário e estabelece um precedente para futuras ações de responsabilização por práticas discriminatórias em processos seletivos.