O primeiro-ministro da Espanha responsabilizou redes de tráfico de pessoas pelo fluxo migratório que levou cerca de 60 mil pessoas a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, vindas do Marrocos. Segundo o chefe do governo, os traficantes se aproveitaram de uma situação específica nas relações bilaterais para organizar a travessia em massa.

De acordo com informações divulgadas pelo governo espanhol, a maior parte dos migrantes já havia retornado ao Marrocos até a noite de sexta-feira. As autoridades espanholas destacaram que as operações de retorno foram conduzidas em coordenação com o país vizinho, que passou a controlar com mais intensidade o acesso à fronteira.

A crise migratória gerou repercussão dentro da União Europeia. A Itália decidiu suspender temporariamente o acordo de Schengen, que prevê a livre circulação de pessoas, no que diz respeito às fronteiras com a Espanha. A medida foi comunicada às autoridades de Madri como forma de pressionar por uma resposta europea coordenada ao aumento do fluxo migratório na região.

O episódio ocorre em meio a uma deterioração nas relações diplomáticas entre Espanha e Marrocos, em um contexto marcado por disputas sobre migração, soberania territorial e cooperação policial. Analistas ouvidos por veículos internacionais apontam que o fechamento temporário de fronteiras e a suspensão de acordos de livre circulação podem se tornar instrumentos cada vez mais utilizados por países da UE em resposta a picos migratórios.

Reportagem original publicada pela BBC News, disponível em https://www.bbc.co.uk/news/articles/cx2kp639yx4o.

Fonte original: BBC News — https://www.bbc.co.uk/news/articles/cx2kp639yx4o?at_medium=RSS&at_campaign=rss