O índice de crianças e adolescentes com deficiência matriculados na rede pública brasileira que alcançaram aprendizagem adequada registrou crescimento entre os anos de 2013 e 2023. No mesmo intervalo, caiu a distância de desempenho entre os alunos da educação especial e os estudantes do ensino regular na avaliação do 5º ano do ensino fundamental, sinalizando maior atenção das instituições escolares às práticas de inclusão.
Os dados fazem parte de um levantamento inédito elaborado pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM), em colaboração com a Fundação Lemann e o Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). A pesquisa utilizou como referência as estatísticas oficiais do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), classificando como público da educação especial os estudantes com uma ou múltiplas deficiências, transtorno do espectro autista ou altas habilidades.
De acordo com o relatório divulgado pela Agência Brasil, na avaliação de língua portuguesa do 5º ano do ensino fundamental, a proporção de alunos da educação especial com nota considerada satisfatória subiu de 20,7% para 44,5% no período analisado — mais que o dobro do patamar inicial. Entre os estudantes matriculados na educação regular, o indicador de desempenho adequado na mesma disciplina passou de 40,9% para 55,9%.
Com esse avanço mais acelerado entre o público-alvo da educação especial, a diferença de desempenho entre os dois grupos recuou de 20,2 pontos percentuais para 11,4 pontos percentuais ao longo da década. O estudo também aponta que houve evolução nos indicadores de aprendizagem na disciplina de matemática no período avaliado.