O lançamento da história em quadrinhos Time dos Sonhos recupera a trajetória das primeiras gerações de jogadoras de futebol no Brasil, em sintonia com a preparação para a Copa do Mundo feminina que o país sediará em 2027. A publicação foi escrita pela jornalista e pesquisadora Angélica Kalil, com ilustrações de Priscila de Paula, conhecida como PriWi, e sai pela editora Bebel Books com incentivo do Programa de Ação Cultural (ProAC) do Estado de São Paulo.

A narrativa acompanha sete adolescentes, de 12 a 15 anos, que decidem montar um time de bairro e passam a pesquisar o passado da modalidade. Os nomes das protagonistas prestam homenagem a mulheres de destaque na defesa de direitos femininos. PriWi desenvolveu o desenho das personagens entre 2013 e 2018, inspirada em antigas colegas de escola, enquanto Kalil estruturou o arco dramático de cada integrante.

Ex-goleira na juventude e praticante do futebol amador na vida adulta, PriWi uniu-se ao interesse de Kalil em suprir a falta de materiais acessíveis sobre o tema. Com estética que remete a um caderno de colagens e referências a memes, o livro homenageia atletas históricas como Fanta, Cebola, Soró, Sissi, Tafa, Kátia Cilene, Grazi, Lorena, Formiga, Cris e Marta.

A pesquisa de Kalil detalha o período em que as mulheres foram impedidas por lei de jogar no Brasil. A proibição teve início em 1941, por meio de um decreto-lei assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, sob o argumento de vetar práticas consideradas incompatíveis com a natureza feminina, incluindo a alegação de risco à gestação.

O veto durou quase quatro décadas, sendo revogado em 1979, enquanto a regulamentação oficial só ocorreu em 1983.

Documentos reunidos pela autora apontam ainda que a imprensa da década de 1930 atuou em favor da restrição, publicando capas contrárias à participação feminina nos gramados. Para Kalil, a resistência que persiste ao futebol praticado por mulheres no país reflete estruturas sociais marcadas por misoginia, racismo e preconceito contra a comunidade LGBTQIA+.

Ela defende que mais mulheres ocupem espaço tanto em campo quanto na produção de relatos históricos sobre o esporte.

O evento oficial de lançamento aconteceu no Centro Olímpico, em São Paulo, reunindo mais de jovens atletas. De acordo com Bebel Abreu, embora o livro tenha foco infantojuvenil, a recepção alcançou leitores de diferentes faixas etárias e gêneros.

A obra já circula no portal da Bebel Books, em plataformas digitais como a Amazon e em livrarias físicas pelo país. Como próximos passos de difusão, as autoras mantêm agenda em feiras literárias, escolas e projetos sociais voltados ao incentivo da modalidade, nos quais realizam oficinas de criação de brasões de times com o público jovem.